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Epica - “Design Your Universe”
Reviews
Written by Lorena Lore   
 Epica - “Design Your Universe” (2009)
Genéro: Symphonic Metal
Review por: Lorena Lore
Rating: 9/10

Intitulado “Design Your Universe” o mais recente registo sonoro dos Epica, apresenta-se como sendo uma obra intrigante e complexa, detentora de um trabalho musical cativante, dramático e grandioso.
A temática-base (de “Design Your Universe”) é a liberdade, pois só após a compreensão e domínio desta, estaremos habilitados a moldar e desenhar o nosso ser, e consequentemente o nosso universo.

“Design Your Universe” acentua de uma forma sublime a possibilidade de alteração do que está à nossa volta, e a possibilidade de atingir a ambicionada liberdade; quebrando as barreiras que nos prendem, materialmente a um mundo de ilusões – "Keep on track to break the curse – alusiva a questão de eterno retorno; deixando-nos a alternativa – "Take the Chance Design Your Universe”. 

O álbum inicia com um prelúdio grandiente, anunciador do poderio que se segue.
Líricamente o álbum divide-se em três fases relevantes, demarcadas também pelos actos alusivos a “New Age Dawns”: “Resign To Surrender”, “Kingdom of Heaven” e “Design Your Universe”.

Conceptualmente temos uma primeira fase introdutória que reflecte a ansiedade – do(s) sujeito(s) –  por atingir a liberdade, frisando a frustração, e tudo aquilo que rodeia o conceito de "liberdade", bem como as forças que limitam a possibilidade de concretizar esse conceito nas nossas vidas (“Resign To Surrender”, “Unleashed”); uma segunda parte ou desenvolvimento que revela uma alteração na postura do sujeito (“Martyr of the Free Word"), este confronta as barreiras que o prendem afirmando não desistir da sua busca (“Our Destiny”), “Kingdom of Heaven”, passagem mais longa do álbum, acentua o conceito que pretendem transmitir, mergulhando num oceano variante entre místico e cientifico, no qual se afirma:

“Quantum physics leads us to
  Answers to the great taboos
      We create the world around us
God is every living soul”

Sendo de realçar como mais bela passagem da música a seguinte:

(...)"Guide us safely
through the gates of death" (...)

“Nothing here will be the same
              I’ll see the world through different eyes
And I, Was given clarity
     And the wisdom that I can’t deny
All that we can ever see
   Until we leave this frail existence
Is just a shadow of reality
Death is not the final instance

It's not your time
               You have to go back... back!

No, no, I don't want to return,
please let me stay here, don't make me go back

Go back, you've got work to do
                      No I don’t want to return”
 

A qual remata com um solo de guitarra brilhante.

"Deconstruct" e "Semblance Of Liberty" apelam à necessidade de reconstituir-mos os nossos parâmetros. Contrastando as polaridades - a pobreza que a ganância e egoísmo nos trazem; e a riqueza que a união nos traria, e como esta nos fortaleceria.
Por último somos introduzidos numa fase em que se descobre que a liberdade pode ser atingida, pelo conhecimento de nós mesmos, a aceitação daquilo que somos e a utilização desses mesmo conhecimento e aceitação para nos “impor-mos” ao mundo e demonstrar-mos aquilo que somos ("Design Your Universe").

Em termos gerais, é de realçar a harmonia existente entre a instrumentalização, vocalização e conceito.
A experiência dos músicos faz com que os instrumentos transmitam a melodia acompanhando Simone em harmonia perfeita, assim como o sentimentalismo que a talentosa vocalista inspira, tornam possíveis a transmissão de conceitos não só através da linguagem (vocal), mas também através da linguagem abstracta manifesta na instrumentalização. 
 Não esquecendo as passagens em que o coro actua, podemos destacar como melhor incorporadas no sentido geral da música as de "Martyr of the Free Word" e "Our Destiny", não que as restantes não estejam bem conseguidas, mas estas em particular através da junção da bateria e guitarra com o coro manifestão o "tudo" a que podemos chamar de metal sinfónico; ficou absolutamente estrondoso e arrebatador e serão partes fortes para serem ouvidas num concerto ao vivo. 
  As músicas conhecem também, uma agressividade maior quando comparadas com os antecessores albúns, havendo contudo espaço para momentos calmos e incorporação de baladas como "Tides Of Time" - uma balada grandiosa sobre a aceitação da morte - e "White Waters" - balada que continua e expande o conceito da predecessora -.

Como já é característico de bandas com o cariz de Epica, cada álbum é trabalhado de forma a constituir um todo, uma sequência musical e lírica, com inicio, meio e término demarcados – de um estilo epopeico estes factores notam-se quando ouvimos “Design Your Universe”, autenticando o trabalho com primor e brilhantismo.
O desenvolvimento que a banda tem sentido com o passar dos anos, assim como as influências clássicas que os têm envolvido são palpáveis. Assistimos por isso, a uns Epica artisticamente mais maduros e musicalmente mais ricos – é de felicitar as mudanças e acréscimos introduzidas pelos novos membros da banda, mais solos de guitarra – acentuando de uma forma bela certas passagens das músicas, engrandecendo-as; assim como temos uma bateria mais presente, e um harmonioso fluir musical.
Na minha opinião trata-se do melhor álbum de Epica até à data.

 

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Sunday, 20.05.2012
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